Drop Down MenusCSS Drop Down MenuPure CSS Dropdown Menu

domingo, 23 de abril de 2017

DA “PRIMAVERA ÁRABE” AO RACISMO “TÉCNICO” DE CHURCHILL


Luís Alberto Ferreira | Jornal de Angola, opinião

O discurso “we can” de Barack Obama na Universidade do Cairo acabou por traduzir, na sua plasticidade deletéria, todo o fiasco da “Primavera Árabe”.

Afinal, a “Revolução” de 2011, que tantas vítimas mortais causou no Cairo, deixou de ser o alibi inextricável (?) pretendido por Washington e Bruxelas. A região precipitou-se numa enxurrada de monstruosidades discricionárias. E a cultura ocidental da mentira como arma política e da pós-verdade como seu apêndice molecular desabaram com estrondo: no dia 2 de Março último, o antigo presidente egípcio Hosni Mubarak foi contemplado por um tribunal do Cairo com a “absolvição definitiva”. 

Aconteceu no mesmíssimo dia em que a senhora Angela Merkel, de visita ao Egipto, assinou com o novo líder governamental empossado, Abdelfatá Al Sisi, a “ampliação dos acordos económicos germano-egípcios”. Daí a presença, na comitiva da chanceler, de “uma nutrida delegação de empresários alemães interessados em investir no Egipto”. Angela Merkel tratou também com Abdelfatá Al Sisi da “questão dos refugiados”. 

Prometeu-lhe que a Alemanha tudo fará para “ajudar as autoridades egípcias a controlar de maneira efectiva as suas fronteiras”. Disse a propósito a líder germânica: “Há rotas para a imigração ilegal da Líbia para a Alemanha”. A panaceia retórica da pós-verdade ocidental traveja-se, muralha-se ou some-se num mundo de trevas, “esquecimentos” e omissões. Este, o mundo nebuloso das omissões - escoltado pelos agentes da desinformação sistémica dos jovens - alcança com as suas tenazes ideológicas tanto o passado recente como o passado remoto ou mais ou menos remoto.

Angola. NOVA PALHAÇADA. DITADURA CENSURA MÚSICAS E POEMAS


A Administração Geral Tributária (AGT), do Ministério das Finanças, procedeu a uma audiência bizarra, com “julgamento ad-hoc”, para justificar a apreensão de 881 CDs de música e poesia falada, provenientes de Portugal.

Rafael Marques de Morais *

Segundo o auto de apreensão a que o Maka Angola teve acesso, a AGT considera subversivo o conteúdo dos CDs.

Com 23 faixas musicais e de poesia falada, o álbum “15+2+Nós” junta artistas angolanos, portugueses, moçambicanos e brasileiros, num tributo aos 15 activistas angolanos detidos em 2015, sob a repugnante acusação de preparação de golpe de Estado e tentativa de assassinato do presidente José Eduardo dos Santos.

A acusação foi promovida pessoal e publicamente pelo procurador-geral da República, general João Maria de Sousa. No banco dos réus, num julgamento considerado de “palhaçada”, sentaram-se também, em 2016, as activistas Laurinda Gouveia e Rosa Conde, que se encontravam em liberdade. Perante a falta de provas, o infame Januário Domingos condenou os 17 por “associação de malfeitores”.

“E assim vivemos trancados nessa masmorra infernal/ porque o poder executivo interfere no judicial/ resultado: inocentes encarcerados/ veredictos encomendados/ crimes omitidos/ e o povo vive trancado no próprio medo/ pagando com a própria vida a factura desses bandidos”, cantam os Fat Soldiers e Raf Tag, na terceira faixa do álbum, intitulada “Angola vai mal”.

“Tratando-se de mercadoria proibida conforme o artigo 53º quadro 1/18 das Instruções Preliminares da Pauta, Decreto-Lei n.º 1/14, de 30 de Janeiro, foi a mesma apreendida”, lê-se no auto de apreensão assinado pelo actuante Miguel Manuel Domingos, da Delegação Aduaneira das Encomendas Postais.

O auto, com data de 17 de Fevereiro de 2017, apenas foi agora dado a conhecer e entregue ao co-produtor do CD, Harvey Madiba, que passou dois meses às voltas, em vãs tentativas para desalfandegar a mercadoria.

Angola. RÁDIO F8 – A VOZ DA LIBERDADE


Ainda em fase experimental, a Rádio Folha 8 aí está a dar o seu contributo para que Angola venha a ser uma Democracia e um Estado de Direito. Sob o lema “A voz da liberdade e da democracia”, pode ser escuta em radiof8.net.

Rádio F8 é (tal como os restantes meios do Folha 8) um órgão de informação generalista, independente, nacionalista, vocacionada para a defesa e divulgação da verdade, dando voz a quem a não tem e prioridade ao que for de interesse público.

A Rádio F8 privilegiará todas as informações relativas ao que se passa em Angola ou que, mesmo oriundas do exterior, tenham repercussões no país e nos seus cidadãos.

A Rádio F8 considera que todos os cidadãos, angolanos ou não, têm direito a saber o que se passa tanto na sua rua como no fim do Mundo e, por isso, é sua obrigação facultar essa informação.

A Rádio F8 respeita e incentiva a Liberdade de Expressão e Informação, sendo por isso um espaço aberto a todas as correntes de opinião.

A Rádio F8 é um órgão de informação livre que, por isso, sabe que a sua liberdade termina onde começa a dos outros e que, por isso, exige que a dos outros termine onde começa a sua.

A Rádio F8, independentemente da abertura a todas as correntes de opinião, reserva-se o direito de não difundir informações que violem o presente Estatuto Editorial (comum a todos os meios Folha 8) ou as regras de um Estado de Direito Democrático, nomeadamente na sua luta pela democracia pluralista e solidária.

A Rádio F8, no âmbito da sua política editorial, é inequivocamente independente dos poderes políticos, económicos, religiosos e de quaisquer grupos de pressão.

Folha 8


ATIVISTAS ANGOLANOS CONDENADOS A 45 DIAS DE PRISÃO


Tribunal Municipal de Cacuaco condenou sete ativistas a 45 dias de prisão e multa por resistência às autoridades e rebelião. Jovens protestaram na segunda-feira contra falta de transparência no processo eleitoral.

Os sete ativistas, julgados sumariamente, foram considerados culpados dos crimes de resistência às autoridades e rebelião. Os jovens do auto-denominado Conselho Nacional dos Ativistas de Angola foram condenados, esta quarta-feira (19.04), a 45 dias de prisão efetiva e a uma multa de 65 mil kwanzas, o equivalente a 365 euros.

Inicialmente os ativistas estavam a ser acusados de terem partido o vidro de uma das viaturas da Polícia Nacional durante o protesto, algo que não ficou provado.

O protesto de segunda-feira (19.04) em que os ativistas pediam transparência no processo eleitoral não foi o primeiro realizado pelo grupo.

Os jovens costumam manifestar-se nos seus bairros de forma espontânea por vários motivos - contra a elevada taxa de desemprego ou a pedir eletricidade, por exemplo. Mas, na segunda-feira, terão levado os protestos pela primeira vez até à Vila de Cacuaco, nos arredores da capital angolana, onde foram detidos.

Angola. DEFENSORES DA LUNDA TCHOKWE DENUNCIAM TENTATIVA DE SILENCIAMENTO


PGR angolana acusa cinco ativistas do Movimento Protectorado Lunda Tchokwe de tentativa de homicídio. A organização nega as acusações, afirmando que os detidos são "presos políticos". E denuncia maus tratos na cadeia.

Faz este sábado (22.04.) um mês que os ativistas do Movimento Protectorado Lunda Tchokwe foram detidos na localidade de Cafunfo, na província da Lunda Sul, em Angola. Mas só esta semana começaram a ser ouvidos pela Procuradoria-Geral da República.

Segundo o Movimento Protectorado Lunda Tchokwe, os cinco ativistas são acusados de tentativa de homicídio de um agente da Polícia Nacional, durante a manifestação ocorrida a 4 de janeiro, em Cafunfo.

No entanto, o Movimento nega estas acusações.

José Mateus Zecamutchima, presidente do Movimento Protectorado Lunda Tchokwe, tem uma versão diferente do que aconteceu: "No dia 4 de janeiro, o senhor Rui Lucas [um dos cinco acusados] esteve na manifestação onde havia mais de duas mil pessoas e um polícia, de nome Levi, meteu-se no meio da confusão e foi espancado pela população. A polícia deteve Rui Lucas como retaliação. Mais tarde, no dia 22 de março, rusgaram André Zende e Zeca Samuimba, que são nossos membros no secretariado regional de Cafunfo, e com eles levaram os jovens Cazenga Manuel e Corintio", afirma.

Há um mês, foram também detidas mulheres e adolescentes, que entretanto já foram libertados.

Tchetchénia. SE SÃO GAYS NÃO SOMOS NÓS


Isabel Moreira | Expresso | opinião

Passado mais de meio século sobre a segunda guerra mundial, foi revelada a existência de campos de concentração para homens gay na Tchetchénia. Tivemos acesso a relatos macabros por parte de quem sobrevive a um regime que tem os gays como impuros, que os quer eliminar, diretamente ou incumbindo a sociedade e as suas famílias de o fazerem.

A ver se nos entendemos: demorou demasiado tempo para que fosse reconhecido o que o nazismo fez aos homossexuais (porque a homossexualidade era considerada uma patologia, certo?) e em 2017 somos confrontados com uma monstruosidade contemporânea sem grandes consequências.

Com base em discursos de base religiosa, moral e nacionalista, Putin e outros de sua espécie justificam a perseguição da “impureza”, por isso já sabíamos da “lei que proíbe a propaganda homossexual” de Putin, e agora somos bombardeados com um campo para espancar, torturar e eletrocutar gays.

A falta de empatia relativamente à violação dos direitos humanos das pessoas LGBT é gritante. É sempre assim e continua a ser assim mesmo quando a notícia é, repito, a existência de campos de concentração para homens gay na Tchetchénia.

O MEU VOTO EM FRANÇA


Afonso Camões* | Jornal de Notícias | opinião

Não votamos no país que inventou a Esquerda e a Direita na política. Mas o resultado das eleições presidenciais de hoje, em França, é também assunto nosso. Não apenas pelo mais de um milhão de portugueses que lá vivem, mas sobretudo porque o desfecho condicionará o futuro da União Europeia tal como a conhecemos.

São onze candidatos, e as últimas sondagens dão empate técnico aos primeiros quatro: a nacional-populista Marine Le Pen, o conservador François Fillon, o centrista Emmanuel Macron e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon. Entre eles, está tudo em aberto. Nos quase 60 anos que leva a quinta república fundada por De Gaulle, é a primeira vez que tantos candidatos chegam à ponta final em condições de se qualificarem para a segunda e decisiva volta, a 7 de maio. Pela primeira vez, também, à Esquerda e à Direita, é seguro que nenhum dos candidatos dos principais partidos lá chegará.

A crise francesa, filha do vazio político europeu, estilhaçou a sociedade e também os partidos tradicionais que governaram nas últimas décadas. Em França, tal como na Grécia, em Espanha, em Inglaterra e na Holanda, a principal vítima são os socialistas. François Hollande, o presidente cessante, é o rosto do desencanto da social-democracia europeia. E o facto de não se ter recandidatado é a assunção do seu próprio fracasso, deixando órfão um partido cujo candidato oficial, Benoît Hamon, não chega sequer aos 10% nas sondagens.

Do outro lado, animadas pelas vitórias de Trump nos Estados Unidos e do Brexit no Reino Unido, todas as previsões apontam para que a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, ganhe a primeira volta ou que, pelo menos, se qualifique para a segunda. Mas não o suficiente para chegar ao Eliseu, que requer maioria absoluta. Pouco proporcional, o sistema eleitoral francês, sempre a duas voltas, é a chave da exclusão desta Frente Nacional contra quem, até agora, todos se têm aliado para a afastar da órbita do poder. Xenófobo, anti-imigrantes, antiglobalização e antieuropeísta, o partido de Le Pen obteve um quarto dos votos nas mais recentes eleições, mas continua marginal. Apesar de ser o mais votado na primeira volta das eleições de 2015, em seis das 13 regiões, não controla nenhuma delas, governando apenas em 14 dos 36 mil municípios do país...

Na expressão feliz de um historiador gaulês, "à primeira volta os franceses votam no seu candidato, e à segunda elegem o seu presidente". Sobra um detalhe que diz tudo sobre o que está em jogo nesta eleição: entre os principais candidatos, há um único assumidamente europeísta. É um filho do sistema, o que sobra dele.

*Diretor do JN

Eleições em França. Taxa de participação nas presidenciais sobe ligeiramente em relação a 2012


É uma subida ligeira. Comparando os dados de 2016 com os de 2012, a taxa de participação aumentou nas primeiras horas de votação.

A taxa de participação na primeira volta das eleições presidenciais em França atingia os 28,54% às 10 horas (11 horas em Lisboa), uma ligeira subida em relação a 2012 (28,29%), indicou o Ministério do Interior francês.

O grau de mobilização dos eleitores é uma das incógnitas desta eleição de resultado incerto, com quatro dos 11 candidatos com possibilidade de passar à segunda volta.

O enviado especial da TSF a França, João Francisco Guerreiro passou na manhã deste domingo por uma mesa de voto, onde uma autarca local, de origem portuguesa, notava uma afluência superior comparativamente ao ano 2012, quando se realizaram as últimas eleições presidenciais.

As sondagens mais recentes, divulgadas na sexta-feira, colocam Emmanuel Macron (centro) à frente de Marine Le Pen (extrema-direita), com 24% e 22% respetivamente, e Jean-Luc Mélenchon (esquerda) e François Fillon (direita) empatados com 19%.

Quatro horas após a abertura das urnas, todos os candidatos já votaram. As assembleias de voto encerram às 20 horas em Paris e nas grandes cidades, fechando uma hora mais cedo nas outras localidades.

A segunda volta das presidenciais francesas está marcada para 7 de maio.

TSF com Lusa | Foto: Caroline Blumberg/ EPA

Eleições em França. FALSOS FACTOS COM CONSEQUÊNCIAS NA RUA. E NO VOTO DE HOJE?


Num cais vazio, malas solitárias com ar ainda mais de abandonadas porque as pegas estão por terra, carrinhos derrubados, mochilas e até malinhas de mão espalhadas no chão demonstram uma fuga abrupta... - ontem à tarde, a Gare du Nord, estação central de comboios na margem direita de Paris, foi cenário de mais um momento de pânico coletivo. Na véspera, acontecera o mesmo na estação do metropolitano de Châtelet, por causa de uma tábua caída de andaime. Desta vez, na Gare du Nord, foi uma patrulha policial que interpelou um homem, supostamente com uma faca na mão, mas que se rendeu de imediato.

As pessoas falam do medo fundo, não adormecido, como velhos combatentes: "Já não é como do primeiro atentado, mas..." O assassínio do polícia nos Campos Elísios, na quinta-feira, abalou, mas... São muitos os "primeiro atentado" a calejar - desses da memória recente, Charlie Hebdo, Bataclan, já para não falar das bombas dos anos 1990, dos radicais islâmicos argelinos, que levaram a fechar os caixotes de lixo na cidade, e muito menos da pré-história, há mais de meio século, dos atentados da guerra da Argélia transportada para Paris... Vendo bem, a cidade nunca foi fácil, os parisienses estão habituados. Mas... Os parisienses estão tensos.

O passar das sirenes, em cortejos longos de até uma dúzia de carrinhas da polícia, é constante. Jovens soldados de camuflado e colete à prova de bala, mão pousada no protetor de gatilho da metralhadora, um ir até ao canto da rua, olhar à esquerda e à direita, precedendo o avançar da patrulha, imagem normal de filme (Vietname) ou de noticiário de TV (Mossul)... Mas tão insólito e inesperado quanto a placa da rua diz Boulevard Haussman, os cartazes anunciam as galerias Lafayette e, no passeio, namorados sentam-se em cadeiras de palha e bebem golos de Aperol.

Estranhos sinais de uma guerra que não é. Ou é?

VALORIZAR ESCOLA E PROFESSOR


Manuel Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias, opinião

No discurso político e social sobre a educação, o ensino e a formação, desde logo dos jovens, existe unanimidade quanto ao reconhecimento de que essa deve ser uma área prioritária de investimento para se alcançar o desenvolvimento da sociedade e do país.

Entretanto, quando observamos a forma como diversos governos trataram a escola e os professores, somos levados a concluir que a bota não dá com a perdigota. Também já constatámos que a aposta numa maior escolaridade e formação é sempre um ganho para quem as faz, mas se o país não tiver uma matriz de desenvolvimento que integre as formações adquiridas, pouco ganha numa perspetiva estratégica. As jovens gerações, com mais conhecimento e preparação, são "convidadas" a emigrar acabando por ir dar contributo ao desenvolvimento de outros países.

A escola pública portuguesa no global é uma boa escola, tem dado contributos extraordinários para avanços do país em múltiplos campos. O que nos tem faltado é um projeto de desenvolvimento que, por um lado, seja capaz de integrar formações e qualificações adquiridas e, por outro, seja gerador de dinâmicas propiciadoras de acertos (organizacionais, curriculares, pedagógicos e outros) em todo o sistema de ensino.

FARIA DE OLIVEIRA, NOVO BANCO, BANQUEIROS... MAIS DO MESMO - entrevista TSF/DN


Em entrevista TSF/Diário de Notícias é hoje o dia da banca, esse desastre nacional que se compõe de gente muito pouco honesta, contrariamente ao que devia acontecer. O entrevistado é Faria de Oliveira, atual presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Faria de Oliveira já foi peça integrante de governos por diversas vezes o salto para a banca aconteceu como aconteceu a muitos outros dos governos PSD – sobretudo no tempo do PM Cavaco Silva. Também outros do PS deram o mesmo salto ou muito semelhante. Pormenor interessante que redunda nesta “mãe de todas as crises”. O que quiser saber sobre Faria de Oliveira, este é o banqueiro hoje abordado, pode ver em Wikipedia Imaculada. Ali está a transparência conveniente sobre o entrevistado.

A entrevista está neste momento a começar. Vai do  após noticiário das 12, até pouco antes do noticiário das 13 horas. Na TSF.

Para ouvir já constam aqui as indicações, para ler basta continuar a “devorar” o que retirámos por “empréstino do site da TSF. Não são aqui tecidas considerações sobre o que é dito na entrevista de Faria Oliveira. Afinal eles dizem todos o mesmo. Até se consideram vítimas do “sistema”. A falta de vergonha caracteriza estes bandos de “banqueiros” que levam ao esbulho dos portugueses e empurra para a miséria milhões dos chamados “contribuintes”. Enquanto isso alguns dos referidos bandos têm o descaramento de recorrer a offshores para pôr a seguro milhares de milhões de euros. Tudo acontece impunemente, na paz do sistema mafioso que a elite formada nos governos pós 25 de Novembro veio impondo. Aos portugueses resta pagar com língua de palmo e meio os sistemáticos sacrifícios que lhe são impostos em nome de Portugal. Pagar somente para beneficio de uns quantos, essas tais elites. Esses tais bandos. 

MM | PG

sábado, 22 de abril de 2017

O FUTURO DA EUROPA JOGA-SE EM FRANÇA


Pedro Silva Pereira* | Jornal de Notícias | opinião

Quem vai às urnas no domingo para escolher o seu presidente são os franceses, mas o que se vai decidir é o futuro da Europa. A verdade é esta: depois de duramente golpeada pelo Brexit, a União Europeia, tal como a conhecemos, dificilmente resistiria à saída de um segundo peso pesado. Dito isto, que é claro como água, não será preciso dizer mais para explicar que é também o nosso futuro que se joga nestas eleições francesas.

A candidatura de Le Pen, que tanto anima a extrema-direita e parece levar de arrasto uma legião de eleitores incautos, não é apenas perigosa pelo que significa de populismo nacionalista, xenófobo, securitário e protecionista - é também uma autêntica ameaça de morte para o projeto europeu. Derrotá-la é, por isso, a prioridade número um de todos os democratas e humanistas, mas também, e de forma muito especial, de todos os que acreditam na construção europeia como projeto notável de paz e prosperidade, capaz de contribuir, de forma decisiva, para as causas dos direitos humanos, do desenvolvimento sustentável e de uma globalização mais justa e mais regulada.

Enquanto a candidatura de Le Pen se apresenta assumidamente antieuropeia, no outro extremo do espectro político a retórica esquerdista, e crescentemente populista, do candidato da "França insubmissa", Jean-Luc Mélenchon, não deixa de envolver também um certo tom de ameaça para o futuro do projeto europeu: se o seu Plano A preconiza uma profunda revisão dos tratados e acordos europeus, de mais do que duvidosa viabilidade política, a sua verdadeira proposta, o Plano B, incita a França a promover, em alternativa, nada mais nada menos do que uma saída unilateral - e certamente tumultuosa - da moeda única.

Entre os dois extremos, perfilam-se três versões europeístas: o europeísmo crítico do socialista Benoit Hamon, o europeísmo relutante do candidato do centro-direita François Fillon e o europeísmo reformista de Emmanuel Macron. Felizmente, e pesar das aparências que a doentia sedução mediática pelos protagonistas do populismo vai construindo, tudo indica que estas diferentes correntes europeístas congregam ainda a maioria da sociedade francesa. Têm, por isso, encontro marcado para, na segunda volta das presidenciais, unirem forças de modo a garantir o mais importante: o futuro do projeto europeu.

* Eurodeputado

DA FUNDAÇÃO SAINT-SIMON A EMMANUEL MÁCRON


Thierry Meyssan*

O súbito aparecimento de um novo partido político, «En Marche!», no cenário eleitoral francês, e a candidatura do seu presidente, Emmanuel Macron, à presidência da República não devem nada ao acaso. Os partidários da aliança entre a classe dirigente francesa e os Estados Unidos não aparecem aqui pela primeira vez.

É impossível compreender o súbito aparecimento na cena política partidária de Emmanuel Macron sem conhecer as tentativas que a precederam, as de Jacques Delors e de Dominique Strauss-Kahn. Mas, para compreender quem manobra nos bastidores, é necessário dar uma volta ao passado.

1982 : a Fundação Saint-Simon

Académicos e directores de grandes empresas francesas decidiram, em 1982, criar uma associação afim de promover «o encontro entre os pesquisadores em ciências sociais e actores da vida económica e social, [e] de difundir para o público os conhecimentos produzido pelas ciências humanas e sociais». O que deu na Fundação Saint-Simon [1].

Durante quase vinte anos, este organismo impôs o ponto de vista de Washington em França, criando o que os seus detractores chamaram «o pensamento único». A Fundação decidiu dissolver-se, em 1999, após as greves de 1995 e o fracasso da reforma do sistema de pensões.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A ABSOLVIÇÃO DE DONALD TRUMP


Agora sim, o presidente dos Estados Unidos age como lhe compete: trata a Rússia como o inimigo que, com todo o descaramento, procura impedir a balcanização da Síria, assim contrariando o incontrariável Israel; e aponta o dedo ameaçador à China, usando a Coreia do Norte como intermediário.

José Goulão* | opinião

As reprimendas duras de amigos e aliados, a revolta caricaturada em manifestações inconsequentes e mesmo as conjecturas sobre um hipotético impeachment de Donald Trump cessaram como por encanto.

Secaram as lágrimas de crocodilo sobre a tragédia dos imigrantes que a Administração norte-americana declara ilegais; os muros e cercas erguidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México passaram a ser compreendidos, como tolerados são os levantados na Europa contra a «praga» dos refugiados (David Cameron dixit); o triste fim do pueril Obamacare perdeu o significado como bandeirinha de um protesto hipócrita, acomodada agora nos fundos de uma qualquer gaveta perdida.

Dissolveu-se assim a tempestade sobre Washington, soprada a partir do mundo que se auto define como civilizado durante os primeiros 100 dias da presidência imperial de Donald Trump. Para alcançar tão pacífica acalmia bastaram um bombardeamento contra o território soberano da Síria; o lançamento de uma superbomba contra o Afeganistão supostamente independente – um feito heróico cantado numa babel de línguas, ainda que viole algumas normas básicas da ONU; um piedoso acto de contrição declarando que «a NATO já não é obsoleta»; e uma arenga com ameaças de guerra contra a Coreia do Norte proferida in loco pelo vice-presidente Mike Pence, imitando uma pose do rambo.

UMA SÍRIA A RETALHOS



A Síria, um país com 185.180 km2 situado no Médio Oriente (Ásia do Sudoeste), é actualmente (desde a eclosão induzida da “Primavera Árabe” em 2011), uma manta de retalhos, um labirinto onde se multiplicam os agentes de caos e de terrorismo, que se cruzam com os mais diversos e sensíveis grupos étnicos e religiosos que povoam toda a região, alguns dos quais desde há milénios.

Os manifestantes, conduzidos por agitadores profissionais apoiados pelos ocidentais e seus aliados das monarquias arábicas wahabitas, “produziram” múltiplas “praças Maidan” em todas as cidades sírias praticamente em simultâneo em 2011 e 2012, institucionalizando a subversão a partir de então numa escalada que obrigou a passar do estágio civil para o estágio militar, pois uma parte do recrutamento, incluindo o recrutamento do Estado Islâmico e da Frente al-Nusra, ficaram assim garantidos a partir de rectaguardas múltiplas: Turquia, Israel, Jordânia e Iraque.

Por outro lado a injecção de mercenários nos vários instrumentos da subversão, podia-se então começar a fazer em função das necessidades e da evolução da situação militar, na medida em que também eram fornecidos os armamentos aferidos ao desenrolar das batalhas.

Apesar disso o governo do Partido Árabe Socialista Baath que tem à frente Bashar al-Assad, apoiado pela força-tarefa russa de geometria e sensibilidade variável, assim como pelo Irão e grupos afins que se encontram espalhados desde o Líbano até fronteira iraniana-síria, dominam no essencial do território, nas regiões mais densamente povoadas do país e nas cidades mais cosmopolitas e importantes, como Damasco, Alepo, Homs, Latakia, ou Tartus.

IRÃO: CASO EUA NÃO PARE AQUI O ATAQUE NA SÍRIA SERÁ SÓ O COMEÇO


A nova doutrina da administração dos EUA na Síria é baseada nas sugestões vindas da administração de Israel: reduzir o nível de expansão da influência da Rússia no Oriente Médio, separar Moscou do Irã, colocar contra a parede tanto o Irã como as falanges do Partido libanês "Hezbollah" na Síria, deixar a força aérea russa, BKC na sigla russa, sem combatentes na terra de aliados assim como jogar o exército da Síria de Assad na beira da derrota militar.

Nicolai Bobkin*

Não há dúvidas de que o ataque de mísseis na base aérea militar da Síria sancionado por Trump faz parte desses planos ( этих планов ). Entretanto, o enfiar de uma cunha de separação na boa relação entre Moscou e Teerã não deu o resultado intencionado, ou seja, não teve sucesso. A Rússia e o Irã demonstraram um entendimento sem precedentes e isso num nível de alto escalão militar.

Em 8 de abril deu-se uma conferência telefônica ( телефонный разговор ) entre os generais-chefes do Estado Maior das forças armadas dos dois países, o general-de- divisão Mohammad Hоssеin Bagheri, por parte do Irã, e o general do exército Valério Gerasimov, por parte da Rússia. No mesmo dia o assunto foi discutido na Síria entre o secretário do Conselho de Segurança do Irã, o sr. Ali Shamkhani e, por parte da Rússia, o sr. Nicolai Patruchev. Não houve nenhum desacordo quanto ao fato de que o ataque dos EUA apresentava-se óbviamente como uma agressão planejada de antemão. A intenção do mesmo também estava clara: retardar o avanço do exército sírio e levantar a moral no quadro dos terroristas e seus protetores, patrocinadores e apoiantes.

CHINA E RÚSSIA SEGUEM MAIS UNIDAS QUE NUNCA!


Agência de Segurança Nacional de Trump só blefa

O Ministério de Relações Exteriores da China anunciou hoje cedo que o Secretário Geral de Administração do Partido Comunista da China Li Zhanshu visitará a Rússia nos dias 25-27 de abril, atendendo a convite de seu contraparte, chefe da Administração da Presidência no Kremlin Anton Vaino. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Lu Kang disse em Pequim que os dois funcionários discutirão relações China-Rússia "como foi combinado entre os líderes dos dois países" e que o lado chinês confia que a visita aprofundará ainda mais as relações sino-russos. (TASS)

MK Bhadrakumar, Indian Punchline*

Li será a segunda alta autoridade chinesa a visitar Moscou nesse mês de abril. O presidente Vladimir Putin recebeu o 1º vice-premier da China Zhang Gaoli (que é também membro do Comitê Central do Politburo do Partido Comunista Chinês) no Kremlin dia 13 de abril, um dia depois, por falar em datas, da visita do secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson a Moscou.

Zhang é um dos czares da economia no sistema chinês e a conversa com os russos focou-se nos investimentos chineses na Rússia e na cooperação no campo da energia. Mas parte de sua tarefa foi preparar a visita "de trabalho" que Putin fará a Pequim, no contexto daReunião de Cúpula do Projeto Um Cinturão Uma Estrada, dias 14-15 de maio, que será aberta pelo presidente Xi Jinping.

A “EDUCAÇÃO” PARA O RACISMO COMEÇA NA INFÂNCIA


Vídeo comprova que a crença da supremacia de uma raça superior começa em criança

M. Azancot de Menezes, Díli | opinião

Há tempos recebi uma mensagem electrónica acompanhada de um pequeno vídeo. As imagens do vídeo mostram uma mesa com duas bonecas (uma de cor preta e outra de cor branca), um “pedagogo”, e crianças de «raças» negra e mestiça que são interrogadas, uma de cada vez.

O teste é muito simples: o pedagogo pergunta à criança qual é a boneca mais bonita, ou a boneca má, e a criança tem que apontar com o dedo a sua escolha.

Pois, acredite-se, a resposta, como se pode observar no vídeo, é sempre a mesma: a boneca branca é a mais bonita, e a boneca negra, é sempre, má e ilegal.

As respostas das crianças interrogadas e a forma como respondem, refiro-me aos seus rostos, alguns tão acanhados e humilhados, são profundamente comoventes, enternecedores, um facto revoltante, e por isso convidam-nos à análise e à profunda reflexão.

AINDA E SEMPRE, OS PRINCÍPIOS DE UM ESTADO DE DIREITO


Paulo Baldaia | Diário de Notícias | opinião

A ideia de que os princípios com que se constrói um Estado de direito devem ser vistos em dois planos, o abstrato e o concreto, tem feito caminho no cada vez mais difícil debate sobre a Justiça. Não ignoro que a falta de condenações em tribunal não implica a inexistência de corrupção em Portugal. O que não posso aceitar como cidadão é que se substitua a luta por melhores leis, mais meios de combate ao crime, mais e melhores polícias e magistrados por acusações em despachos de arquivamento ou condenações na praça pública.

Percebo quando Nuno Garoupa diz, no DN de terça-feira, que "continuar a insistir, no debate público, de que só devemos falar de corrupção quando haja condenação transitada em julgado é fugir da realidade de uma justiça penal que não funciona, é ajudar à construção de uma ficção doentia (não há corrupção em Portugal), é alimentar o populismo e o justicialismo, assim como a despolitização do cidadão e o seu alheamento eleitoral, e é tolerar e perdoar a corrupção." Percebo, mas não concordo que exista aí um problema. Não conheço quem, em abstrato, defenda que não se deve discutir a corrupção sem ser em casos concretos com condenações transitadas em julgado, mas li várias pessoas contestando um despacho de uma procuradora que arquiva um processo carregado de insinuações e que nos trouxe de volta ao debate sobre o modo como funciona a Justiça. Cito três exemplos:

1 - Miguel Sousa Tavares, no Expresso: "O despacho em que o MP arquiva os autos é digno de figurar nas colectâneas de jurisprudência e nos manuais escolares como exemplo do que é a distorção da Justiça."

2 - Daniel Oliveira, no Expresso: "O despacho é um conjunto de conjecturas, deduções lógicas e insinuações para chegar ao fim e dizer que nada está provado. Temo que os magistrados já achem absolutamente natural trocarem o processo pela suspeita, a prova pela opinião, a sentença pela notícia."

3 - Pedro Adão e Silva, no Expresso: "Estava convencido de que um inquérito-crime podia ter um de dois fins: acusação ou arquivamento. Pelos vistos, em mais uma das singularidades em que o nosso país é pródigo, há uma terceira possibilidade: o arquivamento com nota de culpa."

Portugal. Passos Coelho e Paulo Portas procuraram "a desforra do 25 de Abril"




Partido Socialista celebrou 44 anos esta quarta-feira e socialista lembra que o partido é o que melhor representa os ideais de Abril.

Com o 25 de Abril aí à porta, Simões Ilharco aproveita a sua crónica na edição desta semana da Ação Socialista para defender “a cumplicidade do PS com os ideais de Abril”, que, segundo o mesmo, “não poderia ser maior”.

“O PS é, com efeito, o partido-mor da nossa democracia. A fronteira da liberdade, como dizia Soares. Celebrar mais um aniversário do PS é celebrar Abril”, começa por escrever, referindo-se ao facto de o partido ‘rosa’ ter comemorado os seus 44 anos de existência no mesmo mês em que se celebra a liberdade.

Ilharco salienta ainda que o partido “andou sempre de mãos dadas com Abril” e que o acordo de Esquerda é uma “experiência inédita da democracia”, que prova isso mesmo.

“A melhor forma de celebrar Abril é a maioria parlamentar de esquerda, que suporta o Governo, manter-se coesa e unida, evitando-se, assim, o regresso da direita anti-Abril”, atira, após de defender que o anterior Governo é responsável por um "mandato de má memória" em que Passos Coelho e Paulo Portas procuraram "a desforra do 25 de Abril, pondo em causa algumas das suas principais conquistas”.

Andrea Pinto | Notícias ao Minuto

TERRORISMO. MILHENTOS RAIOS OS PARTAM!


Mais um ataque terrorista em Paris. A saber não houve notícia de ataques terroristas dos EUA e outros a populações civis, como acontece bastante. Pelo menos não foram noticiados. Em Paris um atirador disparou indiscriminadamente sobre polícias, atingiu três. Parece que foi um que morreu e dois ficaram feridos. Às primeiras horas chegaram a dar por mortos três polícias, mas não. Holland, le president, confirmou que o “estrago” tinha sido menor do que o anunciado no “calor” do sucedido. Entretanto o Daesh reivindicou o ataque logo nas primeiras horas. Teve essa preocupação. É que por vezes, após ataques terroristas – caso da ponte em Londres – fazem silêncio e depois é que vêm reivindicar os ataques. Topa-se à distância que se “colam” a atos de loucos isolados, de esquizofrénicos, de tipos(as) que nem sequer deviam ter nascido, muito menos andarem por aí a desrespeitar as vidas. E o mesmo se aplica a dirigentes de certos países, aos fulanos das drogas e armamentos, do tráfico humano, etc. Afinal todos são terroristas com o propósito de não nos deixarem viver em paz, em harmonia. Milhentos raios os partam.

No Curto com que se vai deparar mais em baixo, se continuar a ler, tem o tema eleições em França, no domingo. Há aquela tipa fascista, a Le Pen – que também não devia de ter nascido – que pode acabar por vir a ser presidente dos “mes amis de caractère chauvin à l'épuisement” (meus amigos de caracter chauvinista até à exaustão), esses, os franceses de raiz e empedernidos. Já nem merecem mais palavras se elegerem tal megera. Depois de 70 anos idos de “levarem” com a bestialidade de Hitler muitos franceses querem voltar ao mesmo com aparentes novas roupagens. Por favor… Milhentos raios vos partam.

O Curto de hoje tem a lavra cafeeira de Miguel Cadete, saboroso e com espuma. Vá ler. Antes, porém, agarramos uma frase que mais lá para baixo, no texto, refere por autor José Miguel Júdice, e diz o homem à direita q.b.: “Passos Coelho está morto politicamente e ainda ninguém lhe disse”. 

Excelência, dom Miguel, estão fartos e refartos de dizer isso mesmo a Passos e a outros dessa nefasta trupe. O que parece é que eles padecem de autismo porque assim lhes convém. É um truque muito usado pelos Chicos Espertos da nossa praça. E agora, dom Miguel, não se ponha frente ao espelho porque de enviesado pode descobrir mais alguém e mais alguns desse jaez…

Bom dia. Bom fim-de-semana. Boa vida… Claro que estamos a brincar, a ironizar sobre essas coisas boas a que temos direito mas que nos são sistematicamente roubadas… por esses tais que falam sem se verem ao espelho.

No topo, na imagem escolhida, fomos buscar Picasso o Pablo. Apeteceu. Esta obra tem por título "Retrato de Dora Maar". Gostamos muito.

Vamos de frosques. Saúde para todos vós. Já é muito bom se assim acontecer.

MM | PG

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A DISPUTA DOS ATORES INTERNACIONAIS NA BALANÇA DO PODER


Roger Rafael Soares* | Manatuto, Timor-Leste | opinião

Os últimos acontecimentos referentes ao conflito sírio fizeram despoletar as divergências dos EUA com a Rússia, alimentadas pelo conflito de interesses entre as duas grandes potências mundiais, que de certa forma fazem relembrar o período da Guerra Fria, pelo facto de medirem forças e influências não só no território sírio, mas, também, na arena internacional.

Se, com a eleição de Donald Trump, pairava no ar a ideia de “amizade” entre os dois líderes, norte-americano e russo, com o ataque preconizado pelos EUA sobre a base militar de Assad, essa ideia desvaneceu por completo.

O alegado ataque químico supostamente cometido pelo regime Assad causou uma mudança no discurso político do líder norte-americano, Donald Trump, sobre a questão síria, levando os EUA a reagirem com um ataque contra uma base militar de Assad, o que se traduz no agravamento e complexidade do conflito, assumindo-se como um problema político e económico de grandes proporções e de difícil predisposição de resolução, em virtude da disputa de interesses políticos, geoestratégicos e geopolíticos, quer das potências mundiais, quer das potências regionais de apoio ou contra o regime Assad. Isto é, o “que mais preocupa os defensores da hegemonia norte-americana é que os EUA tenham perdido a capacidade para gerir unilateralmente a ordem e a estabilidade nessa região [Médio Oriente], e que tenha que partilhar essa tarefa com a Rússia, o Irão e, em menor medida, com a China” (Rafael Parra, 2015). Por seu lado, a Rússia usa a base Naval de Tartus, bem como a Síria importa muito armamento da Rússia, pelo que a “política russa para a Síria se circunscreve numa visão de ordem multipolar onde a Rússia possa gerir os seus interesses ou converter-se num ator com poder influente e, ao mesmo tempo, promover a implantação de normas internacionais diferentes às que promovem os aliados ocidentais” (Rafael Parra). A posição estratégica que o Médio Oriente detém na geopolítica internacional é objeto de grandes disputas pelos atores externos, sendo de realçar a Síria, um território estrategicamente colocado no Médio Oriente.

E, portanto, a resolução do conflito sírio e das consequências que lhe são inerentes, como a crise humanitária, está longe, dado que os Estados-membros permanentes que compõem o Conselho de Segurança divergem sobre o regime.

*Rojer Rafael T. Soares, Ailili, Manatuto, Timor-Leste


CUIDADO COM OS CÃES DE GUERRA | ESTARÁ O IMPÉRIO AMERICANO À BEIRA DO COLAPSO?


John W. Whitehead [*]

De todos os inimigos das liberdades públicas a guerra é, talvez, o mais temível porque inclui e desenvolve o germe de todos os outros. A guerra é o pai de exércitos; destes originam-se dívidas e impostos... instrumentos conhecidos para submeter os muitos à dominação dos poucos... Nenhuma nação poderia preservar sua liberdade em meio à guerra contínua. – James Madison

Travar guerras sem fim no estrangeiro (no Iraque, Afeganistão, Paquistão e agora Síria) não torna a América – ou o resto do mundo – mais seguros, certamente não está a fazer a América grande outra vez e está inegavelmente a afundar os EUA ainda mais profundamente na dívida.

De facto, é admirável que a economia ainda não tenha entrado em colapso.

Na verdade, mesmo se puséssemos fim a toda intrusão dos militares e trouxéssemos hoje todas as tropas de volta para casa, levaria décadas para pagar o preço destas guerras e afastar os credores do governo das nossas costas. Mesmo assim, os gastos do governo teriam de ser cortados dramaticamente e os impostos agravados.

Faça as contas.

O governo tem US$19 milhões de milhões (trillion) de dívida: Os gastos de guerra aumentaram a dívida do país. A dívida agora excedeu uns estarrecedores 19 milhões de milhões e está a crescer a uma taxa alarmante de US$35 milhões/hora e US$2 mil milhões a cada 24 horas . Mas enquanto os empreiteiros da defesa estão a ficar mais ricosdo que nos seus sonhos mais loucos, nós estamos empenhados a países estrangeiros tais como o Japão e a China(nossos dois maiores credores estrangeiros em US$1,13 e US$1,13 milhões de milhões, respectivamente).

O orçamento anual do Pentágono consome quase 100% da receita do imposto sobre o rendimento individual . Se há qualquer regra absoluta pela qual o governo federal parece operar é de que o contribuinte americano sempre é espoliado, especialmente quando chega o momento de pagar a conta da tentativas da América de policiar o mundo. Tendo sido cooptados pela cobiça dos empreiteiros da defesa, de políticos corruptos e de responsáveis incompetentes do governo, a expansão militar do império americano está a sangrar o país a uma taxa de mais de US$57 milhões por hora.

A GUILHOTINA DA EUROPA


Rafael Barbosa | Jornal de Notícias, opinião

É já no domingo que os franceses são chamados a escolher o seu próximo presidente. É o momento político mais importante dos últimos anos, a nível europeu. E também para os portugueses. No final da contagem dos boletins de voto, não estará "apenas" em causa perceber se a extrema-direita xenófoba, nacionalista e antieuropeia fica mais perto de conquistar o poder. Está também em jogo o que os franceses querem da União Europeia, com ou sem Le Pen, sabendo-se que o ideal europeu pode sobreviver ao Brexit, mas não sobreviverá sem a adesão empenhada da França. Como disse por estes dias Pascal Perrinau, diretor do Instituto de Pesquisas Políticas da célebre universidade Sciences Po, em jeito de aviso, "nunca se esqueçam que os franceses são um povo que corta cabeças. Nós fizemos isso. Literalmente". Ou seja, cortar rente, seja partidos, seja políticos, seja políticas, não constituirá um problema para os eleitores franceses. E isso é ainda mais claro por estes dias, com o cenário inédito de quatro candidatos nada ortodoxos com possibilidade de passar a uma segunda volta.

Umas eleições em que parece desenhar-se um primeiro facto político notável: pela primeira vez, podem ficar de fora, logo à primeira volta, os dois grandes partidos do Centro que governam a França desde a II Guerra Mundial. François Fillon, do centro-direita, atolou-se no escândalo dos empregos públicos fictícios que criou para a mulher e os filhos. Mas tem ainda hipóteses de sobrevivência, ao contrário do representante do centro-esquerda, o socialista Benoit Hamon, vencedor das primárias, mas entretanto renegado, com a deserção dos notáveis para o Centro e dos eleitores para a Esquerda.

Outro facto político notável é que o principal favorito, Emanuel Macron, não tem qualquer partido a suportá-lo. Aliás, procura, a todo o vapor, institucionalizar o seu movimento En Marche (note-se o narcisismo de as iniciais serem as mesmas do nome do candidato) para as legislativas de junho (uma espécie de terceira volta). Acresce que Macron é, sem dúvida, o mais europeísta dos candidatos. Defende, sem sofismas, o aprofundamento da União Europeia, seja ao nível económico (propõe um Parlamento, orçamento e ministro da Economia e Finanças para os países da Zona Euro), seja na partilha da soberania em matéria de segurança e defesa.

O oposto de dois dos seus principais adversários: Marine Le Pen (extrema-direita, que defende o fim do euro e da Europa) e Jean-Luc Mélenchon, do movimento esquerdista França Insubmissa (que quer uma revisão dos tratados e se assume eurocético). A julgar pelas sondagens, há vários candidatos ao trono, como há vários à guilhotina. E entre eles o ideal e o futuro da União Europeia. E, por arrasto, o de Portugal.

* Editor-executivo

TRÊS MORTOS EM TIROTEIO EM PARIS


Atacante, que foi abatido, abriu fogo sobre um carro das autoridades. Dois polícias morreram

Dois polícias foram mortos e um está ferido após um tiroteio em Paris, esta quinta-feira, nos Campos Elísios. A avenida foi evacuada e está encerrada.

De acordo com a Reuters, testemunhas viram um homem sair de um carro e disparar uma metralhadora contra um carro das autoridades, matando um polícia. Depois tentou fugir a pé, tendo sido atingido e morto durante o tiroteio.

Durante a fuga, na troca de tiros, feriu outros dois polícias. O atacante era referenciado pelas autoridades, de acordo com várias fontes.

Segundo fonte da polícia, citada pela Sky News, foram escutados disparos numa segunda localização em Paris, perto do local onde ocorreu o tiroteio.

Portugal. JORNALISTAS JUSTICEIROS!



Paulo Baldaia | Diário de Notícias | opinião

Este não é um texto polido, até para poder fazer justiça à cartilha que surgiu nos últimos dias para atacar o Diário de Notícias. Regista-se a coincidência de João Miguel Tavares (JMT), no Público, e José Manuel Fernandes (JMF), no Observador, terem deixado passar dez dias para procurar satisfazer os seus leitores. Dois jornalistas que precisam de se afirmar de direita para que faça sentido o populismo em que navegam. Quanto valeriam se não soubéssemos que eles são jornalistas (?) de direita?!

JMT diz que eu e outros no DN criticámos "o Ministério Público pelas suspeitas que deixou no ar ao arquivar o processo" de Dias Loureiro. No meu caso, fiz mais! Ao contrário de JMT, arrisquei ter uma posição sobre a Justiça e digo que "o Estado de Direito está a ser corrompido", apontando o dedo à hierarquia do Ministério Público e ao poder político. E faço-o em coerência com o que sempre disse, ainda não havia Daniel Proença de Carvalho na Global Media, numa altura em que JMT trabalhava comigo na chefia de redação do DN e muito antes até de trabalhar na TSF ou no DN.

JMT ataca o grupo e os órgãos de comunicação social que a ele pertencem (JN, DN e TSF), esquecendo que ele próprio é colaborador há muitos anos da TSF, dizendo livremente o que pensa no programa Governo Sombra, que também está na TVI. Como "taxista malandro", percorre vielas e atravessa pontes para chegar onde quer, cobrando mais na bandeirada. Como se apenas no DN tivesse havido críticas ao Ministério Público. Que interessa que Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva ou Miguel Sousa Tavares tenham feito exatamente o mesmo no Expresso? Não interessa nada, porque deita por terra a teoria mirabolante, e ofensiva para o bom nome de todos os jornalistas que trabalham no DN, de que só critica o Ministério Público quem está contra o combate à corrupção ou ao serviço de Daniel Proença de Carvalho. E o que interessa que Nuno Garoupa, também no DN, tenha escrito, ontem mesmo, um texto em que defende uma versão completamente diferente daquela que é referida pelos jornalistas (?) de direita como sendo um modus operandi dos assalariados da Global Media? Não interessa para nada, porque revela um DN plural onde é possível ser livre a pensar e a escrever.

Depois há JMF que não tem a lisura e a coragem de JMT para chamar "os bois pelo nome" e que faz de conta que fala sobre justiça e Dias Loureiro para poder atacar o DN. Basta dizer que esta espécie de guru do "Tea Party" português não se importa de mentir para atacar companheiros de profissão. No texto dele, escreve que o art.º 277 do Código do Processo Penal diz que há duas formas de arquivar um inquérito, sendo que a segunda é "concluir que os indícios recolhidos não foram suficientes para formular uma acusação, mesmo subsistindo suspeitas fundadas". Agora vejam o que diz o número 2 do art.º 277 e concluam: "O inquérito é igualmente arquivado se não tiver sido possível ao Ministério Público obter indícios suficientes da verificação do crime ou de quem foram os agentes". Onde está escrito o "mesmo subsistindo suspeitas fundadas" que JMF garante estar no Código de Processo Penal? Não está!

Daria um certo gozo ver estes jornalistas justiceiros serem vítimas do que dizem defender, mas podem estar descansados, no DN vamos continuar a bater-nos pela defesa do Estado de Direito e estaremos sempre na linha da frente para fazer jornalismo de acordo com as regras estabelecidas e não em defesa de interesses próprios.

ESTARÁ À VISTA O FIM DO MUNDO?



Paul Craig Roberts

A indiferença do mundo ocidental é extraordinária. Não são só os americanos que se permitem terem os cérebros lavados pela CNN, MSNBC, NPR, New York Times e Washington Post, são também os seus comparsas na Europa, Canadá, Austrália e Japão, que confiam na máquina da propaganda de guerra que se apresenta como media. 

 http://www.bbc.com/news/world-us-canada-39573526

Os "líderes" ocidentais, isto é, os fantoches na ponta dos cordéis puxados pelos grupos de interesses privados poderosos e pelo Estado Profundo, estão igualmente indiferentes. Trump e seus comparsas no Império Americano devem estar inconscientes de que estão a provocar guerra com a Rússia e a China, se não são psicopatas.

Um novo Louco da Casa Branca substituiu o velho louco. O Novo Louco enviou o seu secretário de Estado à Rússia. Para que? Para apresentar um ultimato? Para fazer mais acusações falsas? Para se desculpar pelas mentiras? 

Considerem a audácia do secretário de Estado Tillerson. Ele passou a semana anterior à sua visita a Moscovo a corroborar mentiras incríveis e alegações falsas de que Assad da Síria utilizou armas químicas com permissão da Rússia, o que justificava o inequívoco crime de guerra de Washington de um ataque militar a um país ao qual os EUA não declararam guerra. Com menos de 100 dias no gabinete Trump já é um criminoso de guerra, juntamente com o resto do seu governo belicista.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

BOAVENTURA: PARA QUE O FUTURO SEJA DE NOVO POSSÍVEL


E se o divórcio entre Democracia e Revolução estiver na origem dos tempos sombrios que vivemos? E se Democracia e Revolução puderem se amigar de novo?

Boaventura de Sousa Santos | Outras Palavras | Imagem: Robert Doisneau

Quando olhamos para o passado com os olhos do presente, deparamo-nos com cemitérios imensos de futuros abandonados, lutas que abriram novas possibilidades mas foram neutralizadas, silenciadas ou desvirtuadas, futuros assassinados ao nascer ou mesmo antes, contingências que decidiram a opção vencedora depois atribuída ao sentido da história. Nesses cemitérios, os futuros abandonados são também corpos sepultados, muitas vezes corpos que apostaram em futuros errados ou inúteis. Veneramo-los ou execramo-los consoante o futuro que eles e elas quiseram coincide ou não com o que queremos para nós. Por isso choramos os mortos, mas nunca os mesmos mortos. Para que não se pense que os exemplos recentes se reduzem aos homens-bombas – mártires para uns, terroristas para outros – em 2014 houve duas celebrações do assassinato do Arquiduque de Francisco Fernando e sua esposa em Sarajevo, e que conduziu à I Guerra Mundial. Num bairro da cidade, bósnios croatas e muçulmanos celebraram o monarca e sua esposa, enquanto noutro bairro, bósnios sérvios celebraram Gravilo Princip que os assassinou, e até lhe fizeram uma estátua.

No início do século XXI, a ideia de futuros abandonados parece obsoleta, aliás tanto quanto a própria ideia de futuro. O futuro parece ter estacionado no presente e estar disposto a ficar aqui por tempo indeterminado. A novidade, a surpresa, a indeterminação sucedem-se tão banalmente que tudo o que de bom como de mau estava eventualmente reservado para o futuro está a ocorrer hoje. O futuro antecipou-se a si próprio e caiu no presente. A vertigem do tempo que passa é igual à vertigem do tempo que pára. A banalização da inovação vai de par com a banalização da glória e do horror. Muitas pessoas vivem isto com indiferença. Há muito desistiram de fazer acontecer o mundo e por isso estão resignados a que o mundo lhes aconteça. São os cínicos, profissionais do ceticismo. Há, porém, dois grupos muito diferentes em tamanho e sorte para quem esta desistência não é opção.